Neurocirurgia

A Neurocirurgia tem passado por grandes mudanças nos anos recentes, relacionadas a avanços conceituais para melhor atender a todos os pacientes que necessitam de tais cuidados. O neurocirurgião trata de diversas doenças que acometem o sistema nervoso central e periférico. A neurocirurgia pode ser dividida em grandes áreas. Dentre elas, o Neurocirurgião, Dr. Hugo Sterman, atua em: Cirurgia de Nervos Periféricos e Neuro-Oncologia Cirúrgica.

Neuro-Oncologia Cirúrgica

Dedicada ao tratamento dos tumores do sistema nervoso (cérebro e medula espinhal), e dos problemas associados ao câncer como a dor de origem oncológica. Utiliza-se de refinadas técnicas cirúrgicas e de neuroimagem permitindo um diagnóstico preciso e tratamento eficaz.

Dr. Hugo Sterman Neto

Médico no ICESP - Instituto do Câncer de São Paulo Octavio Frias de Oliveira e do
IPQ - Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da FMUSP.

Os tumores do Sistema Nervoso

Os tumores do Sistema Nervoso compreendem uma extensa gama de tipos e podem ser classificados de diversas formas, o que influenciará a forma de tratamento.
Podem ser classificados de acordo com a origem - primário - originado das células do Sistema Nervoso; ou secundário - originado de células de tumores malignos de outra localização, como as metástases - com a localização (intra ou extra-axial, intraventriculares, medulares, da base do crânio, da convexidade, supratentoriais, infratentoriais, medulares, etc.) ou até mesmo pelo seu aspecto (cístico, sólido, infiltrativo, etc.).
As diversas formas de classificação ajudam a organizar o planejamento terapêutico, isto porque, na grande maioria das vezes, não é necessária biópsia para confirmação diagnóstica antes da cirurgia.
Divididos inicialmente em tumores do Sistema Nervoso Central (SNC) e do Sistema Nervoso Periférico (SNP), vamos nos ater aos do SNC, pricipalmente do encéfalo (cérebro, tronco encefálico e cerebelo), os do SNP e os intrarraqueados serão discutidos em outra oportunidade.
O diagnóstico normalmente é feito com exames de imagem (tomografia computadorizada e/ou ressonância magnética) em pacientes com queixas pertinentes. Os sintomas dos tumores encéfalicos podem ser divididos em não-específicos (relacionados ao aumento da pressão intracraniana) e específicos (relacionados à disfunção do tecido no qual o tumor está localizado).
A queixa não-específica mais comum é cefaléia, a dor-de-cabeça comum. Outros sintomas são náuseas e vômitos, embaçamento visual e tontura. Com a progressão do quadro, alterações do comportamento (agitação, apatia, lentificação) e sonolência podem aparecer. Quanto aos sintomas específicos, estes variam e dependem do local e/ou tecido que causam disfunção: crises convulsivas (focais, parciais ou generalizadas); fraqueza, formigamento ou dormência de uma lado do corpo (todo ou somente face, braço ou perna); alterações de fala e linguagem (afasia ou disartrias); defeitos no campos visual; incoordenação (movimentação e/ou fala ebriosa); alterações dos nervos do crânio (visão dupla, queda da pálpebra, dormência da face, boca torta, dificuldade de ouvir e engolir); distúrbios hormonais; distúrbios comportamentais e visuoespaciais.
Após realizar a tomografia e/ou ressonância, a avaliação de imagem cria uma hipótese do tipo de tumor e traçamos um planejamento do tratamento. O tratamento varia bastante a depender do tipo de tumor com o qual estamos tratando e isso será mais pormenorizados em publicações no futuro.
Independente da estratégia, na cirurgia é possível obter fragmento do tumor para que o patologista prepare, olhe através do microscópio e dê o diangóstico definitivo.
Com o diagnóstico definitivo, o tratamento pode ser discutido: seja radioterapia, quimioterapia, observação ou investigação da origem do tumor (no caso das metástases).
De qualquer forma, o tratamento de tumores malignos no SNC não segue os moldes das cirurgias oncológicas sistêmicas, onde um dos princípios é a ressecção com margem (o que, obviamente, é inviável no cérebro). Na grande maioria das vezes a ressecção se baseia em esvaziamento do tumor antes da ressecção total, ou na ressecção subtotal (quando estruturas eloquentes são invadidas). Por isso, os tumores malignos primários do SNC são tratados no pós-operatória com radioterapia e/ou quimioterapia.
Portanto, já que a ressecção total e/ou com margens é virtualmente impossível na maioria dos casos, o fator crucial nas cirurgias é o estado do paciente, ou seja, é melhor um resto de tumor com um paciente sem sequelas do que ressecção total e um paciente machucado.