Neurocirurgia

A Neurocirurgia tem passado por grandes mudanças nos anos recentes, relacionadas a avanços conceituais para melhor atender a todos os pacientes que necessitam de tais cuidados. O neurocirurgião trata de diversas doenças que acometem o sistema nervoso central e periférico. A neurocirurgia pode ser dividida em grandes áreas. Dentre elas, o Neurocirurgião, Dr. Hugo Sterman, atua em: Cirurgia de Nervos Periféricos e Neuro-Oncologia Cirúrgica.

Cirurgia de Nervos Periféricos

Os nervos periféricos são as estruturas responsáveis por levar e trazer informação ao cérebro. Podem ser divididos em sensitivos (trazem informação de temperatura, pressão, dor), motores(levam o comando do cérebro aos músculos) ou mistos, isto é, apresentam funções motoras e sensitivas.

Dr. Hugo Sterman Neto

Médico no ICESP - Instituto do Câncer de São Paulo Octavio Frias de Oliveira e do
IPQ - Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da FMUSP.

Nervos e Doenças

Muitos perguntam sobre como as doenças dos nervos afetam o bom funcionamento do nosso corpo e quando é necessária uma intervenção cirúrgica nesse sistema. Segue aqui uma explicação que busca tornar simples o entendimento de um sistema complexo e cheio de detalhes.

Você se mexe? Chora? Sente dor? Pisca? Sorri? Pula? Agradeça aos seus nervos. São eles os responsáveis por fazer o corpo ser tão vibrante. Por isso é importante cuidar bem desse inteligente sistema de comunicação com o seu cérebro.

As doenças mais conhecidas ligadas aos nervos são Síndromes Compressivas e as Polineuropatias mas existem muitas outras que acometem o bom funcionamento dos nervos

O Sistema Nervoso é composto pelo SNC - Sistema Nervoso Central, formado pelo cérebro - telencéfalo, tronco encefálico e cerebelo - e pela medula espinhal; e o SNP - Sistema Nervoso Periférico.

Os nervos periféricos têm muitas funções importantes, especialmente a de trazer informação ao Sistema Nervoso Central pelas vias aferentes - seja em relação ao meio externo: temperatura, dor, vibração, toque, visão, olfação, audição e gustação; seja em relação ao meio interno: posição das articulações, distensão dos tendões e ligamentos, concentração de gases no sangue e dor.

Outra função importante é a de levar estímulos do SNC para os órgãos efetores pela via eferente - relacionado a um músculo: seja para movimentação de tronco, cabeça, extremidades, olhos, seja para secretar uma substância - como lágrima e saliva. E ainda o de controlar o sistema neurovegetativo das extremidades - sudorese da pele, dilatação e constrição de vasos - pelo Sistema Nervoso Autonômico.

Os nervos são constituídos por milhares de prolongamentos dos neurônios, chamados de axônios, em especial os motoneurônios - relacionados com o sistema eferente, cujo corpo da célula encontra-se na medula espinhal; e os sensitivos - relacionados ao sistema aferente, cujo corpo celular encontra-se nos gânglios das raízes dorsais, próximo à medula espinhal. Ao sair da medula, a união dos prolongamentos dorsais - em sua maioria sensitivo, e ventrais – especialmente os motores, da medula unem-se para formar a raiz espinhal.

Após sair da coluna vertebral, alguns ramos são emitidos para inervação da coluna, movimentação da musculatura da coluna e conexão com sistema nervoso autônomo, e então continua-se como nervo espinhal. Estes que formarão os nervos periféricos.

Esses prolongamentos são constituídos de milhares de axônios que transmitem as informações elétrica da região central para a periferia e vice-versa, em alta velocidade, pois são envolvidos por uma substância chamada mielina, que funciona como um isolante elétrico.

Doenças ligadas ao Sistema Nervoso

Classicamente, as doenças que acometem o SNP podem acometer o sistema aferente e/ou eferente, fazendo com que o paciente sinta fraqueza e/ou alterações de sensibilidade - adormecimento, formigamento, anestesia, dor, entre outras sensações.

Na maioria absoluta das vezes, nas doenças do SNP, as alterações de sensibilidade são de natureza nervosa. Porém, as alterações de força podem ser de origem não-neural. Nesse caso, para maior compreensão, é definido no sistema periférico de motricidade a Unidade Motora. Esta é composta por corpo celular do motoneurônio, que está na medula espinhal, o nervo motor com o prolongamento (axônio) daquele neurônio, a placa motora - região de interface do nervo motor com o músculo e o músculo propriamente dito. As fraquezas podem vir por lesões que acometem o corpo celular no neurônio na medula, doenças da ponta anterior da medula - como a Esclerose Lateral Amiotrófica, as raízes e nervos (radiculoneurite), a placa motora (Miastenia Gravis) e o músculos (as miopatias).

Nessa imensa família de doenças que acometem o SNP, algumas se destacam pois são de acompanhamento e tratamento pelo neurocirurgião: as traumáticas e neoplásicas. As doenças traumáticas do SNP podem ser dividias em dois grandes grupos: as síndromes compressivas e as de causas externas.

As síndromes compressivas de nervos são um conjunto de doenças que acometem os nervos em locais específicos onde, anatomicamente, aqueles passam por regiões mais estreitas, sendo que a movimentação e/ou posturas repetitivas levam a pequenos traumatismos de repetição que geram, cronicamente, a lesão do nervo.

Causas externas - são muitas as causas que levam à necessidade de uma cirurgia nos nervos periféricos, especialmente as de natureza mecânica - os traumatismos fechados e abertos. Situações que infelizmente fazem parte do nosso cotidiano, nos acidentes de trânsito, em quedas sem proteção e nos acidentes domésticos. Existem outros tipos de energia que não a mecânica, que também podem causar lesão de nervos, mas estas são extremamente raras  - eletricidade, substâncias químicas, temperaturas extremas, entre outras.

Os nervos ainda podem sofrer com as chamadas doenças neoplásicas que compreendem os tumores do SNP, sejam eles do próprio nervo ou estruturas relacionadas (perineural), ou de estruturas vizinhas que acometem os nervos. Para esses casos, uma avaliação do paciente e de exames de imagem - ressonância e/ou tomografia - ajudam bastante a orientar o tratamento, seja cirurgia do tumor ou biópsia para planejamento de cirurgia oncológica, em casos de tumores malignos.

Diante de um paciente com queixas compatíveis com doenças do SNP, um exame neurológico específico e minucioso deve ser feito para topografar, qual nervo e onde é o acometimento, e quantificar a intensidade da lesão - parcial ou completa.

Diversos tipos de exames complementares existem na avaliação do SNP: eletroneuromiografia, ultrassonografia, ressonância nuclear magnética, etc. Porém, de nada servem se o paciente não for visto por um especialista, avaliando a temporalidade e causalidade dos sintomas com uma avaliação dirigida.

Tratamentos

Em relação ao tratamento das doenças que acometem os nervos, esse é dirigido para o tipo de lesão: ressecção do tumor, reconstrução ao caso de lesões ou até mesmo reavaliações seriadas para identificar se há necessidade de correção e qual o melhor momento para que ocorra.